
Você já sentiu que, mesmo com bons produtos e clientes fiéis, sua empresa parece andar no escuro quando o assunto é crescimento? Desta forma que uma indústria consolidada, com décadas de liderança, percebeu que precisava mudar.
Neste artigo vamos analisar como estruturamos o ajuste no modelo de acesso a mercado que trouxe previsibilidade e crescimento.
Vamos analisar o caso de uma indústria super tradicional e consolidada, com governança madura e grande participação de mercado, que já é uma marca reconhecida como inovadora e com qualidade. Embora possuísse uma boa posição de mercado estava perdendo força no crescimento com aumento de Churn e com custo de servir elevado. Mesmo com liderança consolidada, a indústria em questão percebeu que:
🔹 O mercado tradicional estava se tornando comoditizado.
🔹 As margens vinham sofrendo pressão com a entrada de competidores asiáticos.
🔹 Novas tendências (personalização, omnicanalidade) exigiam atualização do modelo comercial e de operação.
Nesse contexto, a empresa decidiu reposicionar seu portfólio e expandir mercados, dando início ao projeto de Go To Market (GTM).
Uma das decisões críticas era o mercado endereçado, sendo necessário redefinir o escopo. Embora fosse possível manter o foco apenas no mercado tradicional, a indústria optou por ampliar seu escopo de atuação.
Com isso, passou a oferecer soluções direcionadas ao seu público-alvo, agregando diferenciação e valor além do portfólio convencional.
As ações concretas definidas foram:
- Mapeamento do TAM (mercado total endereçável)
- Identificação de macrotendências: rastreabilidade, ESG, customização e experiência.
- Pesquisa com clientes para entender o apetite a novas soluções.
Ponto de atenção: O processo de redefinição do mercado não foi só estatístico; envolveu entrevistas aprofundadas com clientes-chave e observação em feiras internacionais.
Para fazer a segmentação de clientes e sair do genérico era necessário olhar para o relacionamento comercial da indústria com o cliente que antes era basicamente dividido por tamanho. Isso limitava a capacidade de personalizar oferta e abordagem. Após analise a empresa estruturou um modelo de segmentação cruzando três dimensões:
- Potencial de Receita (ticket anual projetado)
- Perfil de Inovação (disposto a adotar novas tecnologias)
- Complexidade de Demanda (nível de personalização exigida)
De forma prática um cliente médio com perfil inovador passou a ser priorizado no pipeline, mesmo não sendo o maior em volume. (Dentro de um parâmetro pré-definido)
Ou seja, a segmentação dos diversos perfis de clientes permitiu sair do “cuidado igual para todos” e focar energia onde o alinhamento com a estratégia e ROI era maior.
Dentro dos canais de vendas tivemos uma mudança do relacionamento tradicional que antes contava com uma equipe comercial 100% presencial (Representantes Comerciais), o que gerava uma dependência alta no histórico de relacionamento e um baixo uso das plataformas digitais. Para fazer a implementação de e-commerce B2B com catálogo completo e funcionalidades de autoatendimento foi essencial a estruturação de um time interno dedicado a vendas digitais e inside sales além da capacitação de representantes para atuarem como consultores de soluções, não apenas vendedores de produtos.
Um dos maiores desafios nessa transição pode ser a resistência cultural do time comercial tradicional e a necessidade de investimento em sistemas e CRM. Para obter sucesso com as novas medidas e destravar canais, a indústria combinou capacitação e incentivos claros, além de redesenhar políticas de comissão.
Combinado a essas práticas tivemos um redesenho de portfólio, colocando a solução e a entrega de valor do produto lado a lado. A empresa tinha um portfólio extenso, mas pouco estruturado em termos de proposta de valor. As mudanças foram:
- Organização em três linhas:
- Core
- Diferenciadores
- Serviços
- Criação de Pacotes: produto + serviço.
- Definição de pacotes para segmentos prioritários.
Não adianta ter um portfólio sofisticado se o cliente não entende a proposta de valor. Foi necessário ajustar discurso e materiais de vendas para superar os desafios que eram a precificação de soluções combinadas a uma comunicação clara do valor agregado ao cliente.
O próximo passo foi avaliar o Nível de Serviço que é uma métrica essencial para medir a qualidade e eficiência com que uma empresa entrega seus produtos ou serviços aos clientes. Ele está diretamente ligado à satisfação do cliente e ao cumprimento de expectativas acordadas. Nesse cenário, diferenciar não é apenas uma escolha inteligente — é uma tática essencial para lucrar de forma sustentável. Neste caso o SLA era praticamente o mesmo para todos os clientes, com foco no prazo de entrega. Levando em consideração os desafios que eram equilibrar expectativas de clientes tradicionais e ajustar processos internos de produção e logística as mudanças iniciais foram:
Definição de três níveis de serviço:
- Premium: prazo rápido + alta personalização.
- Standard: prazo padrão + customização limitada.
- Digital: catálogo fixo + entrega otimizada via e-commerce.
- SLA claramente comunicado em propostas.
Vale lembrar que clientes valorizam clareza e previsibilidade – comunicar limites evita frustração.
Quando o modelo de negócio muda, a operação também precisa mudar. A estrutura interna precisa espelhar o modelo de mercado saindo da cultura de “vendedor faz tudo” que é difícil de mudar e trazendo a integração de CRM e ERP. Para que a mudança seja realmente duradoura, não basta apenas mudar o portfólio. É preciso, garantir suporte interno consistente. Passamos por uma reestruturação do time comercial, o que resultou em criação de papéis de hunter (novos negócios) e farmer (carteira atual), além do reforço da área de Customer Success e não menos importante o investimento em marketing de conteúdo e inbound.
À medida que o projeto ganha profundidade estratégica, chegamos na visão financeira que leva do faturamento a rentabilidade. Aqui, mais do que falar sobre o volume de vendas da empresa, destacamos como ela transforma essas vendas em valor real e sustentável. É preciso fazer a precificação correta das soluções e projeção de curva de adoção em segmentos mais tradicionais. Foi necessário passar por uma modelagem financeira com cenários conservador, base e otimista, além da projeção de investimento em e-commerce, sistemas e marketing tivemos a definição de indicadores de payback por linha de negócio.
Essas medidas trazem uma visão clara de rentabilidade com confiança para priorizar investimentos.
Em um cenário de transformação é essencial que toda mudança proposta seja mais do que momentânea, é crucial sustentá-la por um plano de execução sólido. Esse plano precisa ser coerente, com disciplina de execução e ajustes contínuos, levando em consideração a coordenação entre áreas (vendas, marketing, TI, operações), com uma comunicação interna constante. Neste projeto a estrutura de Roadmap foi baseada em 3 momentos.
- Onda 1 (3 meses): Revisão do portfólio, estruturação comercial, ajustes iniciais de SLA.
- Onda 2 (6 meses): Lançamento e-commerce B2B, comunicação ao mercado.
- Onda 3 (12 meses): Consolidação de novos canais e expansão internacional.
Também tivemos o auxílio de algumas ferramentas de gestão, como:
- OKRs trimestrais.
- Reuniões quinzenais de governança.
- Painel de indicadores em BI.
Portanto, este projeto demonstrou que, quando a estratégia é clara e o cliente está no centro das decisões, a execução não apenas funciona — ela evolui constantemente. A implantação do GTM foi um sucesso, e os ajustes contínuos mostram que a empresa segue crescendo com propósito e consistência.
5 Lições-Chave do Caso
1️⃣ O cliente no centro. O sucesso veio da escuta ativa e da personalização real, não só discurso.
2️⃣ Portfólio e canal precisam conversar. O e-commerce só ganhou tração quando o portfólio foi adaptado e os vendedores foram incluídos no processo.
3️⃣ Estrutura interna alinhada. Time de vendas, marketing e produção foram redesenhados para sustentar o novo modelo.
4️⃣ Cultura exige tempo. A mudança de mentalidade foi tão desafiadora quanto a implantação tecnológica.
5️⃣ Visão financeira clara. Simular cenários e definir pontos de equilíbrio ajudou a reduzir o risco da transformação.
“Um Go To Market vencedor nasce da combinação de estratégia clara, execução disciplinada e paixão pelo cliente.”
✅ Checklist – Primeiros Passos da Jornada Go To Market
Agora eu convido você a avaliar o seu acesso a mercado. Use este checklist para organizar, alinhar e dar tração ao seu projeto:
1. Entendimento de Mercado
🔲 Mapeei o TAM, SAM e SOM (mercado total, endereçável e disponível).
🔲 Analisei as principais tendências que impactam meu segmento.
🔲 Identifiquei drivers de compra e pontos críticos de decisão dos clientes.
2. Segmentação de Clientes
🔲 Defini critérios de segmentação claros (ex.: potencial de receita, perfil de inovação, maturidade).
🔲 Classifiquei minha base de clientes em grupos ou clusters prioritários.
🔲 Criei personas representativas para orientar proposta de valor e abordagem comercial.
3. Canais de Vendas
🔲 Revisei todos os canais atuais e identifiquei gaps de cobertura.
🔲 Decidi quais canais serão priorizados e qual o papel de cada um.
🔲 Estabeleci metas e indicadores por canal (ex.: aquisição, conversão, retenção).
4. Portfólio de Ofertas
🔲 Organizei o portfólio em categorias (core, diferenciadores, serviços).
🔲 Defini bundles ou pacotes por segmento.
🔲 Elaborei argumentos de valor claros para cada público.
5. Nível de Serviço
🔲 Defini diferentes SLAs e níveis de atendimento por segmento.
🔲 Treinei o time sobre como comunicar esses níveis de serviço.
🔲 Estabeleci processos para monitorar a entrega do SLA.
6. Estrutura Organizacional
🔲 Avaliei se minha equipe atual cobre todos os papéis críticos (hunter, farmer, CS).
🔲 Planejei mudanças necessárias em processos e responsabilidades.
🔲 Implementei capacitação e alinhamento interno.
7. Visão Financeira
🔲 Modelei cenários financeiros (conservador, base e otimista).
🔲 Projetei payback e ROI esperado por linha de negócio.
🔲 Estabeleci indicadores de acompanhamento de resultados.
8. Plano de Execução
🔲 Dividi o projeto em ondas ou etapas com prazos realistas.
🔲 Defini responsáveis por cada entrega.
🔲 Criei um sistema de governança e indicadores de progresso (ex.: OKRs).
Checklist Final – Pronto para Ir ao Mercado?
✅ Todos os passos revisados e validados?
✅ Equipe engajada e treinada?
✅ Ferramentas e materiais prontos?
✅ Indicadores de sucesso definidos?
📌 Dica Final:
O GTM não é um projeto pontual — é uma disciplina contínua de aprender, ajustar e evoluir.



